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<T+1>

<hist. 8 s. cap. 16>

<242>

Captulo 16



Os Anos Rebeldes



  A dcada de 60 foi supermovimentada. Os jovens participaram 

dos acontecimentos com uma intensidade nunca vista antes na 

histria. Um tempo que prometeu grandes mudanas: na 

tecnologia, na moda e nos comportamentos, na economia e na 

situao poltica internacional.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Policiais vigiam ma-  o

  nifestaes pela paz em Mi-    o

  chigan, EUA.                  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Minissaia, guerrilha, _rock, liberdade sexual, viagens  

lua, televiso, estudantes enfrentando a polcia nas ruas, 

computadores, cabelos compridos, feminismo, revoluo: o 

mundo inteiro parecia querer mudar. Mas, no final, pouca 

coisa transformou profundamente. O sistema era mais forte do 

que se pensava. O sonho acabou?



<243>

A histria da juventude



  O que seu pai, sua me e as pessoas da idade deles faziam e 

pensavam quando tinham sua idade atual? A cabea deles era 

muito diferente? Como era a diverso na poca? Os sonhos 

deles eram muito diferentes dos seus? Puxa, at mesmo numa 

conversa em casa ns j podemos refletir sobre as 

transformaes histricas!



A revoluo dos jovens



  {No confie em ningum com mais de 30 anos, no confie em 

ningum com mais de 30 cruzeiros}, dizia a letra de uma 

msica brasileira do comeo dos anos 60. Voc pegou o 

significado? A msica dizia que no dava para confiar em 

gente com grana ou nas pessoas que no tivessem mais a cabea 

de um adolescente. Belo resumo da poca na qual em toda a 

Terra os valores foram contestados pela mais nova e vigorosa 

fora rebelde: a juventude.

  A dcada de 60 viveu o grande sonho de que o mundo poderia 

mudar para melhor. E o sonho de que essa mudana teria que 

partir de quem tivesse entre 13 e 30 anos de idade. 

Acreditando nisso, os jovens participaram da luta pelas 

mudanas polticas e culturais com uma intensidade nunca 

vista antes na histria da humanidade. Realmente, parecia 

que, de estalo, rapazes e moas passaram a criar tantos 

valores novos, tantas idias frescas, que o mundo iria virar 

de cabea para baixo. E virar para uma coisa legal. O poder 

jovem foi a maravilhosa utopia dos anos 60.

  As palavras da moda na poca diziam tudo: alienao, 

represso, conscientizao, liberao. A idia bsica era 

contestar o sistema. Uma gerao que acreditava mesmo na 

mudana. Mais ainda, uma gerao que tinha certeza de que no 

dava para esperar nem mais um minuto porque as coisas j 

estavam acontecendo! {Quem sabe faz a hora, no espera 

acontecer}, dizia a clebre cano de Geraldo Vandr. Que 

loucura excitante!



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    Foto: Passeata de jovens    o

  esquerdistas em Londres,       o

  1949. Os jovens ficaram fas-  o

  cinados em unir a luta pelo     o

  socialismo com as idias de     o

  liberdade individual e busca    o

  do prazer.                      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  O sentimento de que nascia uma _nova _era contagiava 

coraes e mentes. Mas as pessoas tambm sabiam que a 

transformao no seria feita por um indivduo especial, mas 

pela ao consciente de todos, pela unio das 

individualidades. Descobriram como era importante e gostoso 

fazer coisas juntos, compartilhar as alegrias e tristezas, 

lutar coletivamente.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Ilustrao: Homem nu em      o

  posio de Yoga. Por que       o

  irmos  praia vestidos? Ficar   o

  nu em pblico era uma forma      o

  de protesto social e tambm      o

  um modo de afirmar a liber-      o

  dade individual.                 o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Foi uma gerao que acreditou na luta poltica. Para ela 

tudo tinha significado poltico, at mesmo a diverso, a 

arte, o namoro, a amizade, a msica. Tudo podia ser visto em 

termos de libertao contra a represso, de conscientizao 

contra a alienao. O Estado era desprezado, os polticos 

tradicionais, detestados.

<P>

  Estudante que se prezava, fosse no Brasil ou na Frana, no 

Japo ou nos EUA, em quase todos os pases ocidentais, tinha 

idias socialistas. Liam-se muito Marx e Engels, Lnin e 

Trtski. A moada era socialista, porm, a maioria criticava 

a URSS por causa da falta de democracia. Muitos admiravam a 

China de Mao Ts-tung. Che Guevara e Fidel Castro eram 

verdadeiros heris para os latino-americanos.

  A luta no era s contra o Estado ou contra o capitalismo. 

Os jovens achavam que em todas as manifestaes humanas havia 

opresso, gente dando ordens, gente obrigada a obedecer, 

gente se sentindo sufocada por outros: na cultura, na relao 

do homem com a mulher, no sexo, na famlia, na msica, no 

cinema. Por causa disso, os jovens queriam que a mudana no 

fosse s na economia (acabando com a pobreza, a injustia 

social) ou na poltica (acabando com os governos opressores), 

mas tambm na mentalidade , nas relaes entre os indivduos. 

Todas as instituies tinham de ser contestadas, repensadas, 

refeitas. {Abaixo a represso!} era um brado de protesto que 

valia, por exemplo, contra a ditadura militar, contra os que 

defendiam a virgindade das moas at o casamento, contra o 

capitalismo ou contra a forma tradicional de fazer teatro. 

Idias que estavam escritas em camisetas, nas letras de 

_rock, nos filmes de vanguarda, nos livros dos intelectuais 

de esquerda, nas inmeras passeatas estudantis, nos grafites 

pinchados nos muros.



<244>

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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Casal jovem. Ele l   o

  uma revista chamada _Juventu-   o

  de _socialista. Em cima dela,   o

  o cartaz dizendo {Faa amor,    o

  no faa guerra}. Um resumo     o

  da dcada: contestao, paci-    o

  fismo, socialismo, amor li-      o

  vre, individualidade.            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



Jovens americanos e Guerra do Vietn



  At nos EUA havia enxames de estudantes esquerdistas e 

contestadores. Para comear, os universitrios 

norte-americanos protestavam contra a Guerra do Vietn.

  O Vietn  um pas asitico que fazia parte da antiga 

Indochina, colnia francesa. Na Segunda Guerra, foi invadido 

pelo Japo. A grande fora de luta pela independncia 

vietnamita era o Partido Comunista, liderado por Ho Chi Minh. 

Quando terminou a Segunda Guerra (1945), comeou uma penosa 

luta do Exrcito Vermelho para expulsar os colonizadores 

franceses. Em 1954, os franceses, derrotados, precisaram se 

retirar. Naquele momento, o pas ficou dividido em dois 

Reflexos da Guerra Fria: o Norte, dirigido pelos comunistas 

de Ho Chi Minh, o Sul, ligado ao Ocidente capitalista.

<P>

  Havia um acordo para que se realizassem eleies gerais. 

Mas o governo americano descobriu que elas dariam vitria 

certa ao comunistas. Governos socialistas aliados da URSS 

poderiam se espalhar pela Indochina. Por isso, os EUA 

resolveram intervir diretamente no pas. As eleies foram 

canceladas e se estabeleceu uma ditadura militar no Vietn do 

Sul.



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    Foto: Os soldados america-  o

  nos avanam sobre o Vietn     o

  para salvar o capitalismo. A   o

  populao {protegida} foge      o

  apavorada.                      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

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<245>

  A partir dos anos 60, os EUA foram enviando cada vez mais 

soldados para o Vietn. Ao todo, mandaram 1,6 milho de 

homens! Enfrentavam os guerrilheiros comunistas, os 

vietcongues do Norte, liderados pelo indomvel Ho Chi Minh. A 

maior potncia militar do planeta contra um humilde pas do 

Terceiro Mundo que ousava desafiar o imperialismo. Avies 

supersnicos orientados por satlites e computadores, bombas 

incendirias, blindados de ltima gerao, tudo foi usado 

contra um povo que no se entregou. A guerra comeou a virar 

um inferno para os soldados ianques. Os guerrilheiros 

vietcongues comearam a derrotar os soldados americanos.

  Um dos princpios da sociedade norte-americana  o da 

liberdade de imprensa. Graas a ela, os jornalistas revelavam 

ao mundo os crimes de guerra dos EUA contra os vietnamitas: 

bombas incendirias napalm sobre aldeias indefesas, soldados 

que torturavam os prisioneiros at a morte, balas de fuzil 

nas cabeas de crianas suspeitas de ajudar os guerrilheiros.

<P>

  Nos EUA, multides gigantescas fizeram passeatas contra a 

Guerra do Vietn. Queriam que as tropas americanas se 

retirassem de l. Que direito os EUA tinham de se meter na 

vida de outro povo? Com que direito exigiam que os jovens 

americanos fossem mortos naquela guerra injusta? Que direito 

tinham de massacrar um povo?

  Morreram milhes de vietcongues. Mas eles no se renderam. 

Finalmente, em 1975,os EUA reconheceram a impossibilidade de 

ganhar o conflito e se retiraram. O sofrimento no Vietn 

marcaria uma gerao inteira de norte-americanos. E marca at 

hoje o povo vietnamita.



O presidente hollywoodiano: John F. Kennedy



  John Fitzgerald Kennedy era rico, educado, bonito e 

charmoso. Com esse jeito de gal de filme de Hollywood, no 

foi difcil ser eleito presidente dos EUA em 1960.

  O novo presidente criou o programa da Nova Fronteira, 

formado por uma lista de propostas para mudar o pas e o 

mundo. Buscou a coexistncia pacfica com a URSS e criou um 

plano de ajuda econmica aos pases da Amrica Latina, a 

Aliana para o Progresso.

  Kennedy tambm se preocupava com os graves problemas 

sociais dos EUA, como o racismo e a existncia de milhes de 

famlias pobres.

  Para muitos norte-americanos, a preocupao de Kennedy com 

os problemas sociais significava uma importante mudana na 

forma de governar o pas. Mas em 1963 Kennedy foi assassinado 

por um homem com problemas psiquitricos.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: John F. Kennedy: no-  o

  vas idias com o tradiciona-      o

  lismo poltico da elite norte-    o

  americana.                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



Os negros vo  luta



  Dentro dos EUA tambm havia uma guerra: a dos brancos 

agredindo os negros. Em muitos lugares do pas (nos estados 

do Sul), os negros ainda no tinham direito a voto, nem de 

entrar em cinema, escola ou nibus reservado para os brancos. 

Semelhante ao regime racista da frica do Sul!



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: O pastor Martin       o

  Luther King, lder pacifista   o

  na luta pelos direitos civis     o

  dos negros.                      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



  Nos anos 60, cresceu o nmero de negros com a conscincia 

de lutar por seus direitos civis. Um dos grandes heris do 

movimento, o pastor protestante Martin Luther King, defendia 

o boicote s empresas racistas e a desobedincia civil (o 

desrespeito a qualquer lei racista, inspirado em Gandhi). 

Voc se lembra? Luther King liderou a marcha de um milho de 

pessoas na capital americana contra o racismo.

  Havia outros negros que acreditavam que s havia um jeito 

de acabar com o preconceito dos brancos: organizar a luta 

armada. Formou-se o grupo guerrilheiro Panteras Negras, 

liderado por Malcom X.



<246>

URSS: Kruschev contra Stlin



  Nos pases socialistas tambm havia uma forte tendncia  

mudana e  contestao.

  Ns vimos como, aps a morte de Lnin, a URSS 

transformou-se na ditadura dos burocratas do Partido 

Comunista, liderados por Joseph Stlin. At sua morte (1953), 

Stlin governou com mo de ferro, considerando anticomunista 

qualquer um que discordasse dele.

<P>

  Depois que Stlin desapareceu, a URSS deu uma virada 

espetacular. O novo dirigente sovitico, Nikita Kruschev, fez 

um clebre discurso no Xx Congresso do PC da URSS (1956), em 

que denunciava os crimes de Stlin. Kruschev dizia que Stlin 

cometera muitos erros, desrespeitara as idias de Lnin e 

instaurara um absurdo {culto  personalidade} (a propaganda 

oficial criava a imagem de um Stlin como lder maravilhoso, 

responsvel por todos os progressos do pas). A partir da, a 

URSS viveu um processo de desentalinizao: presos polticos 

foram soltos, a censura  imprensa foi abrandada, a represso 

diminuiu. Na verdade, os burocratas do partido comunista 

continuavam com muito poder, mas sem exercer a brutalidade 

stalinista.

  No plano internacional, Kruschev propunha tirar o p do 

acelerador da Guerra Fria. Visitou os EUA, contou piadas para 

os jornalistas, conversou com o presidente Kennedy e props a 

coexistncia pacfica entre os dois sistemas. Em vez de a 

URSS e os EUA se prepararem para uma guerra nuclear 

{inevitvel}, seria mais sensato que buscassem acordos para 

evitar esse confronto. No comeo dos anos 60, a Guerra Fria 

no havia terminado, mas ao menos existia um clima de 

{cavalheirismo} nas relaes entre as duas superpotncias.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto do tempo da Revoluo      o

  Cultural Chinesa (1966-1976).   o

  Milhes de jovens, vestidos com    o

  o uniforme da Guarda Vermelha     o

  ({vanguarda da Revoluo Prole-   o

  tria}), carregam o Livro Ver-    o

  melho de Mao-Ts-tung, que con-   o

  tinha frases do {Grande Timo-     o

  neiro}. Os jovens acreditavam      o

  em mudanas radicais, mas os        o

  crticos apontavam a criao de     o

  um culto  personalidade de Mao    o

  semelhante ao que houve  Stlin.  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



A Revoluo Cultural Chinesa



  Voc se lembra que os dois gigantes comunistas, a URSS e a 

China, romperam no comeo dos anos 60, um acusando o outro de 

ter {trado o socialismo}. No mundo inteiro, os partidos 

comunistas tradicionais continuavam ligados  URSS. Mas entre 

os estudantes esquerdistas do Ocidente muitos preferiam o 

{maosmo} (as idias de Mao Ts-tung), porque parecia que na 

China havia um socialismo renovado, sem o peso dos velhos 

burocratas stalinistas da URSS. A China estava nas pginas de 

todos os jornais do mundo por causa do turbilho de novidades 

e radicalismo da Grande Revoluo Cultural.



<P>

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    Foto: Kruschev dirigiu a        o

  URSS de 1956 a 1964. A crti-  o

  ca ao stalinismo repercutiu         o

  mundialmente. Aqui ele apare-      o

  ce cumprimentando Mao              o

  Ts-tung. Porm logo depois       o

  a URSS e a China cortaram        o

  relaes.                           o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  A Revoluo Cultural (1966-1976) foi uma experincia 

socialista muito original. As novas propostas eram discutidas 

animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam 

espao para o povo manifestar seus pensamentos e suas 

crticas. Velhos administradores foram substitudos por 

rapazes cheiros de idias novas. Em todos os lugares 

falava-se da luta contra os quatro velhos: velhos hbitos, 

velha cultura, velhas idias, velhos costumes. Em Xangai, o 

maior centro industrial, os operrios invadiram a prefeitura 

e destituram os governantes (1967). Os trabalhadores exigiam 

eleies diretas e secretas para escolher os diretores das 

fbricas, oficinas e universidades.

<247>

  No comeo, o presidente Mao Ts-tung foi o grande 

incentivador da mobilizao da juventude a favor da Revoluo 

Cultural. Com isso, Mao ampliou seu prestgio. Milhes de 

jovens formaram a Guarda Vermelha, militantes totalmente 

dedicados  luta pelas mudanas. A Guarda Vermelha organizava 

grandes passeatas e comcios a favor da Revoluo Cultural. 

Seus militantes invadiam fbricas, prefeituras e sedes do PC 

para prender dirigentes {politicamente esclerosados}. O 

grande smbolo da poca era o _Livro _Vermelho, com trechos 

das idias de Mao Ts-tung. Todo militante da Guarda Vermelha 

devia ler diariamente trechos desse livrinho e debater as 

idias com os colegas.

<P>

  Durante a Revoluo Cultural, houve um reforo da igualdade 

social. Os salrios eram praticamente os mesmos para todos, 

do campons colhedor de cerejas ao dirigente do partido 

comunista, do varredor de rua ao cientista. Os intelectuais 

precisavam passar alguns meses trabalhando como camponeses e 

operrios para que {no manifestassem pensamentos burgueses}.

  Vrios antigos dirigentes do PC foram retirados de seus 

cargos, acusados de {esclerose poltica}. A Guarda Vermelha 

obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com 

cartazes pregados nas costas, com dizeres do tipo: {Fui um 

burocrata mais preocupado com meu cargo do que com o 

bem-estar do povo}. As pessoas riam, jogavam objetos e at 

cuspiam.

  A Revoluo Cultural entusiasmava e assustava, ao mesmo 

tempo. Veja s e d sua opinio. As obras clssicas da 

literatura e da msica ocidental (como o teatro de 

Shakespeare e os concertos de Mozart) foram consideradas 

{cultura burguesa} e proibidas. Ouvir uma fita com _rock 

ocidental podia levar algum a freqentar um campo de 

reeducao poltica. Cientistas precisavam interromper suas 

pesquisas para passar meses colhendo arroz no campo -- tudo 

em nome da {unio dos intelectuais e do povo trabalhador}. 

Nas universidades, as vagas eram reservadas para os que 

demostravam maior empenho das lutas polticas. Por exemplo, 

para estudar engenharia ou medicina, era mais importante 

conhecer as obras de Karl Marx e participar da Guarda 

Vermelha do que saber resolver problemas de matemtica ou de 

qumica. Os antigos dirigentes eram arrancados do poder e 

humilhados por multides de adolescentes que consideravam o 

fato de uma pessoa ter 60 ou 70 anos ser o suficiente para 

ela no ter nada a acrescentar ao pas... Puxa, o que pensar 

disso tudo?



<P>

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    Foto: Homem Chins traba-   o

  lhando com mquina de costu-     o

  ra. No tempo da Revoluo      o

  Cultural, milhes de jovens     o

  chineses vestiam o mesmo uni-    o

  forme revolucionrio. Monoto-   o

  nia ou igualdade social? (Pe-   o

  lo menos, as pessoas tinham      o

  o que vestir.) Repare que o     o

  rapaz est na mquina de cos-    o

  tura, numa ocupao {feminina}.  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

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A Primavera de Praga



  Na Tchecoslovquia o prprio Partido Comunista, liderado 

por Alexandre Dubcek, encabeou as reformas (1967-68). A 

idia era construir o chamado socialismo com face humana. 

Esse processo de mudanas caracterizou a Primavera de Praga 

(lembre-se de que Praga  a capital do pas).

<P>

  Dubcek e seus camaradas acreditavam no socialismo, ou 

seja, queriam que as empresas e terras continuassem 

{propriedade social}. Mas, para o povo tchecoslovaco, o 

socialismo deveria ser tambm a sociedade mais livre e 

democrtica do mundo. Sem os vcios stalinistas tpicos dos 

regimes da URSS e do Leste Europeu. Era preciso dar o direito 

de as pessoas discordarem do governo. Era preciso acabar com 

os privilgios dos burocratas.



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    Foto: Pessoas em desfile de   o

  rua. Na Primavera de Praga     o

  (1968) os jovens tchecoslova-    o

  cos que acreditavam no socia-     o

  lismo ousaram contestar o sta-    o

  linismo da URSS.                o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

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<248>

<P>

Paris 1968:  proibido proibir



  Em 1968 houve uma rebelio estudantil mundial. Talvez o ano 

mais agitado desse sculo endiabrado. Em nome da luta contra 

o _establishment (sistema), estudantes moas e rapazes foram 

para a rua em passeatas de protesto contra as autoridades. O 

governo botava a polcia na avenida e a comeavam os 

combates. Berlim, Paris, Mxico, Rio de Janeiro, Los Angeles, 

Tquio, Roma. Nas grandes cidades, imagens semelhantes. 

Jovens no asfalto, pedradas, gs lacrimogneo, coraes a mil 

e brutalidade da polcia.



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    Foto: Jovens rebeldes. Pa-  o

  ris, maio de 1968: a maior de   o

  todas as rebelies estudantis.   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<P>

  A maior das revoltas estudantis ocorreu em Paris, a capital 

francesa. Milhares de jovens se levantaram contra os 

poderosos. Nos muros, pichaes revolucionrias com tinta 

_spray (grafites), que inspirariam o resto do mundo. D s 

uma olhada no que alguns deles diziam:  proibido proibir; A 

imaginao no poder; A humanidade s ser livre no dia em que 

o ltimo burocrata for enforcado com as tripas do ltimo 

burgus; O sol nasce vermelho para todos; Sejamos realistas, 

exijamos o impossvel!; Faa amor, no faa guerra.

  As frases dizem tudo. Para quem no acreditava que num pas 

rico e desenvolvido poderia haver uma revoluo socialista, a 

Frana oferecia a prova contrria. A Universidade de Sorbonne 

foi ocupada. Os universitrios hastearam bandeiras vermelhas 

(socialistas) e negras (anarquistas). Acompanhando o clima 

generalizado de recusa, uma gigantesca greve geral paralisou 

a indstria francesa. O presidente Charles De Gaulle no 

sabia o que fazer. Parecia ter perdido o controle do pas.

  Puxa, ser que estava chegando a hora de o mundo mudar? 

Estaria a humanidade vivendo a aurora de uma nova era? 

Quantos namorados no fizeram amor sonhando que um dia teriam 

filhos num planeta em que todos seriam livres, iguais e 

amigos!



A cincia tambm queria revolucionar



  Na dcada de 60 a cincia e a tecnologia ocuparam de vez a 

vida cotidiana das pessoas. Veja s.

  Os soviticos surpreenderam o mundo ao enviar o primeiro 

homem ao espao, Iuri Gagrin (1961). Tambm foram os 

primeiros a descer um rob na Lua (1966). Em compensao, os 

americanos se tornaram os pioneiros no desembarque de um 

homem na Lua (Neil Armstrong, 1969). No mesmo ano, uma sonda 

dos EUA alcanou Marte e meses depois, a URSS descia um rob 

em Vnus. Foguetes, satlites, astronautas e robs de 

pesquisa cientfica tornaram-se comuns naquele tempo.



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*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto do broche comemorativo    o

  da viagem da Apolo 11, que co-  o

  locou o primeiro homem na Lua.   o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Os estudos de gentica realizaram grandes avanos. A 

gentica  a parte da Biologia que procura explicar, por 

exemplo, como  que os filhos herdam as caractersticas dos 

pas. Responde a perguntas como: porque pai e me de olhos 

pretos podem ter filhos de olhos azuis? Somos parecidos com 

nossos pais, avs, irmos, etc. porque nossas clulas recebem 

uma {informao} para que se desenvolvam de modo semelhante. 

A informao gentica est contida em grandes e complexas 

molculas chamadas de DNA. O DNA era conhecido desde 1944. 

Sua estrutura (em forma de hlice) foi descoberta dez anos 

depois. Na dcada de 60, comeou a ser desvendado o modo como 

as informaes do DNA so transmitidas de gerao a gerao.


<249>

  Na Medicina, as operaes para implante de corao 

artificial j eram feitas em 1963. Imagine quantas vidas 

foram salvas! O primeiro transplante de corao bem-sucedido 

(pelo dr. Barnard, um dos dolos da dcada) se realizou em 

1967. E o marca passo cardaco  de 1970.

  A eletrnica tambm fez muitos progressos. Rdios 

transistorizados substituram os antigos modelos a vlvula. O 

gravador com fitas cassetes  de 1963 e o videocassete surgiu 

em 1970. Graas aos avanos da tecnologia, o mundo inteiro 

comeou a se comunicar por meio do satlite americano, o 

Intelsat (1968). por isso, a Copa do Mundo de Futebol de 1970 

pde ser vista em cores em quase toda a Terra. Mquinas de 

calcular eletrnicas e computadores para grandes empresas 

comearam a se tornar comuns no final da dcada.



Mudar o cotidiano



  A moada acreditava que no bastava transformar a estrutura 

econmica e o Estado. Era preciso mudar a prpria maneira de 

se comportar e de sentir das pessoas, sua vida cotidiana, o 

dia-a-dia. A revoluo deveria ser total.

  Viviam-se a cultura de protesto e a contracultura. Os 

jovens gostavam de mostrar que eram rebeldes, que contestavam 

todos os valores estabelecidos. Uma das formas mais gostosas 

de fazer isso era atravs da moda: os homens comearam a usar 

cabelos compridos, enquanto as moas vestiam minissaias. As 

roupas possuam coloridos fortes, cheios de flores e imagens 

que pareciam alucinaes (chamadas de psicodlicas).

<P>

  Foi a dcada da exploso do feminismo. As mulheres tormavam 

plena conscincia de que no eram inferiores em nada aos 

homens e que portanto deveriam ter os mesmos direitos ao 

trabalho e ao estudo. Exigiam liberdade para o amor, para o 

sexo, para determinar suas prprias vidas. A pensadora 

francesa Simone de Beauvoir e a escritora norte-americana 

Betty Friedan eram as principais divulgadoras da nova 

mentalidade. Naqueles tempos, o movimento feminista 

enfrentava muitos preconceitos machistas. Mesmo entre os mais 

jovens, havia muitos homens que se sentiam diminudos pela 

ascenso das mulheres.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Desfile de feministas   o

  socialistas em Paris, por vol-   o

  ta de 1969. O cartaz diz: {A   o

  revoluo no se far sem as      o

  mulheres}.                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  Nos anos 60 deu-se muito valor  sexualidade. Todo mundo 

lia ou dizia que lia Freud, o criador da psicanlise, que 

mostrou ser a sexualidade fundamental para determinar nossa 

individualidade. Outro guru ({mestre intelectual}) era o 

psicanalista alemo Wilhelm Reich (1897-1957), que defendia a 

tese de que a represso  sexualidade era uma das formas de a 

burguesia manter as pessoas quietas e obedientes como 

carneiros. Reich inspirou a idia tpica dos anos 60 de que a 

luta pela liberdade sexual, pelo direito do casal de 

namorados transar sem sentimentos de culpa, era tambm uma 

luta revolucionria. Foi a dcada do amor e da libertao 

sexual. As plulas anticoncepcionais passaram a ser vendidas 

em qualquer farmcia, o que contribuiu para o novo 

comportamento. Exibir que uma moa casasse virgem ou que s 

transasse com um nico cara ao longo da vida foi visto pelos 

jovens como uma coisa retrgrada, machista, repressora. Uma 

famosa pichao de muro com _spray, em Paris 1968, dizia: 

{Quanto mais fao amor, mais sou revolucionrio; quanto mais 

sou revolucionrio, mais fao amor.}

  Timidamente, comeou a se afirmar o movimento _gay. Os 

militantes _gays queriam que todos os homossexuais passassem 

a no ter vergonha pelo fato de amarem pessoas do mesmo sexo. 

Surgiram as primeiras passeatas de {orgulho _gay}. O 

movimento tambm queria mostrar  sociedade que a opo 

sexual no faz ningum ser mais ou menos inteligente 

sensvel, honesto e de bom carter.

  O filsofo alemo Herbert Marcuse (1898-1979) disse que o 

capitalismo avanado transforma todo mundo em consumidor 

bitolado e passivo, um tipo padronizado, que s consegue ver 

um nico lado das coisas: o homem unidimensional. O prprio 

sexo pode se tornar uma dessas mercadorias vendidas em 

supermercado para os vidos consumidores unidimensionais.

<P>

  Da a raiva de muitos adolescentes de classe mdia contra a 

sociedade de consumo. Eles perguntavam: {Ser que o fato de 

termos o que comer e vestir  suficiente para sermos livres? 

Ser que nossa existncia deve se concentrar em trabalhar 

disciplinadamente e consumir, consumir e consumir os produtos 

da indstria capitalista?}



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Figura: imagens psicodli-  o

  cas, que aparentemente repro-  o

  duziam a {viso} das pessoas   o

  sob efeito de drogas alucin-  o

  genas como o LSD.            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: moa hippie. As rou-   o

  pas diferentes expressavam a     o

  rebeldia doa jovens contra o     o

  {sistema}. Porque a idia era   o

  no apenas acabar com o capi-    o

  talismo e o Estado burgus,     o

  mas tambm com os valores        o

  tradicionais que {reprimiam e    o

  alienavam a individualidade}.    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<250>

A Utopia Hippie



  Nem todos sonhavam com uma revoluo socialista como a 

russa, chinesa ou cubana. Tinha gente que em vez da guerrilha 

preferia {paz e amor} para transformar o mundo. Seus heris 

no eram Lnin, Mao ou Che Guevara, mas Gandhi, sbios 

chineses antigos, gurus indianos. Eles eram os _hippies.

<P>

  Andavam em grupos, acampavam na floresta, sorriam para as 

crianas. Roupas coloridas, homens de barba e cabelos 

compridos, meninas lindas com flores no cabelo, violo, 

barracas de camping, flauta doce, livres para ficarem todos 

nus sem perder a inocncia. Admiravam a cultura oriental, 

vestiam batas indianas, apreciavam a alimentao vegetariana 

(sem carne). Seus filhos deveriam ser criados num novo mundo, 

sem cobranas, castigos, mentiras, sem as neuroses da 

sociedade de consumo.

  Os _hippies preferiam a natureza  fumaa negra das 

cidades, o _rock ao barulho dos fuzis automticos 

assassinando vietcongues, o sexo amoroso  violncia da 

polcia contra os negros, a amizade ao egosmo da sociedade 

capitalista.

  Havia muito preconceito contra eles. Muita gente os acusava 

de {sujos}, {depravados}, {drogados}.



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: hippies. Os _hippies   o

  eram facilmente identificados    o

  por seu modo de vestir e pela    o

  proposta de {paz e amor}.        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



A sociedade de consumo descobre os jovens



  A burguesia estava atenta para as mudanas. Assim, os 

industriais descobriram que podiam vender muito mais se 

criassem produtos especficos para os jovens: roupas, discos, 

lanchonetes (elas se espalham pelo mundo nessa poca), boates 

(antes, eram s para adultos), alimentos, refrigerantes, 

carros, aparelhos eletrnicos, mveis, sapatos, remdios.

  Os adolescentes de classe mdia queriam consumir. A 

publicidade embarcava na onda de contestao, criando a idia 

de que as pessoas que no usassem tal produto seriam 

consideradas {quadradas}, {por fora}, {caretas}. Comprar essa 

ou aquela mercadoria era elogiado como atitude 

{revolucionria}. Uma propaganda da poca dizia que 

{Liberdade  um cala _jeans desbotada}.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Nos anos 60, apareceu a pop-  o

  art, um estilo que utilizava      o

  a linguagem da publicidade e      o

  das histrias em quadrinhos       o

  para ironizar a sociedade de      o

  consumo. O artista mais repre-   o

  sentativo foi o americano An-    o

  dy Warhol. Repare como ele re-  o

  produz a lata de sopa vendida     o

  no supermercado para chamar a     o

  ateno sobre a superficiali-     o

  dade da vida das pessoas que      o

  parecem existir apenas para       o

  trabalhar e fazer compras.        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<251>

<P>

O rock tambm queria ser rebelde



  A msica jovem viveu a colorida exploso do _rock. Quem 

nunca ouviu falar dos grande nomes do _rock dos anos 60? Os 

Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim 

Morrison and The Doors, Bob Dylan, Joan Baez, The Mamas and 

The papas e tantos outros.

  Muitos desses msicos fizeram letras que exprimiam sua 

revolta contra uma sociedade em que tudo vira mercadoria, em 

que a concorrncia do mercado arrasta todos para o {cada um 

por si}. Na clebre cano {I can get no satisfaction}, dos 

Rolling Stones, falava-se da angstia de jamais estar 

satisfeito na sociedade de consumo.

  No famoso festival de _rock de Woodstock, em agosto de 

1969, uma multido de quatrocentos mil rapazes e moas se 

juntou num parque para ouvir msica, cantar, namorar, fumar, 

tomar banho pelado no Rio. A msica tambm tinha a ver com a 

utopia juvenil de um mundo alegre e compromissado com o 

prazer.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Beatles. Os Beatles   o

  foram o grupo mais famoso da      o

  histria do rock. Est  a       o

  capa do revolucionrio disco      o

  {Sgt. Peppers Lonely Hearts   o

  Club Band}, no melhor estilo    o

  psicodlico da poca.             o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Jimi Hendrix. A gui-  o

  tarra de Jimi Hendrix cantou    o

  as incertezas e os sonhos da      o

  juventude.                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Janis Joplin. A voz   o

  rouca de Janis Joplin ecoava    o

  o blues vindo da alma. Inten-    o

  sa demais, morreu de overdose.    o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Mick Jaeger dos       o

  Rolling Stones: ironizando o   o

  comunismo, mas sendo consu-      o

  midos pelo mercado...            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



<252>

Rebeldes no Brasil



  O Brasil dos anos 60 tambm recebeu influncia das novas 

idias. Desde 1964 o pas vivia uma ditadura militar que 

obviamente era contrria a qualquer contestao poltica. Mas 

em 1967 e 1968, nos grandes centros urbanos, aconteceram 

grandes passeatas de protesto de estudantes contra o regime 

autoritrio dos generais. Em geral, os jovens eram 

universitrios e de classe mdia.

  Nos anos 60 tambm apareceram os hippies, os grupos de 

_rock e as organizaes de guerrilha. O movimento feminista 

conquistou espaos importantes. Surgiram novos valores na 

msica popular, como Chico Buarque de Hollanda, Milton 

Nascimento, Gilberto Gil e Caetano Veloso. (Veremos isso com 

detalhe no captulo 18.)



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*

    Foto: Caetano Veloso e Gil-  o

  berto Gil lanaram o Tropic-    o

  lia em 1969.                      o

eieieieieieieieieieieieieieieieieieieie

<F+>



O sonho acabou



  O sonho de mudana radical pelos jovens podia parecer 

bonito. (Teria sido mesmo to bonito? O que voc pensa, amigo 

leitor?) mas de certa forma, fracassou. O mundo continuaria 

sendo basicamente o mesmo, talvez at mais contraditrio. No 

final, as foras reacionrias (conservadoras) levaram a 

melhor. Vamos dar agora uma olhada no que aconteceu nos 

diversos pases?

  Nos EUA, o presidente Kennedy, que tanto prometia uma 

{nova era}, mostrou sua face conservadora: ordenou a invaso 

de Cuba em 1961 (episdio da Baa dos Porcos). No foi 

bem-sucedida. Lembra? Depois, foi assassinado por um maluco 

(1963). A partir da, os EUA ampliaram sua participao na 

Guerra do Vietn, destruram completamente a economia do 

pobre pas e massacraram milhes de civis inocentes. At que 

reconheceram a derrota e se retiraram do pas (1975).

  Malcom X e Martin Luther King, os lderes do movimento 

negro nos EUA, foram assassinados. Dizem at que pelo FBI 

(polcia federal norte-americana). Mas isso talvez nunca seja 

esclarecido.  bem verdade que a luta no foi em vo. Nos 

EUA, os negros conquistaram alguns direitos importantes. A 

luta continua: ainda hoje, eles tm os salrios mais baixos, 

as piores escolas e os maiores ndices de desemprego.

  Muitos jovens acreditaram que as drogas (maconha, haxixe, 

LSD, herona) podiam ser libertadoras. O dr. Timothy Leary 

defendia o uso de LSD (uma poderosa droga que provoca 

alucinaes) para {libertar a mente dos condicionamentos 

sociais}. Suponha que a droga no seria um veculo de fuga, 

mas de abertura das portas da percepo e da conscincia para 

novas dimenses. Mas no foi nada disso que aconteceu. As 

drogas serviram para levar as pessoas a ignorar o mundo, numa 

atitude egosta de s olhar para si mesmas e para o seu 

prprio prazer. Anularam a capacidade humana de compreender 

racionalmente a realidade. Alm disso, as drogas mataram (e 

matam!): roqueiros como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim 

Morrison foram algumas das vtimas famosas.

<P>

  Na URSS, Kruschev foi afastado do poder (1964) e pelos 

burocratas neo-stalinistas chefiados por Leonid Brejnev. As 

reformas democratizantes foram interrompidas. No tempo de 

Stlin as pessoas que criticavam o governo eram fuziladas. No 

tempo de Brejnev, elas eram presas.

<253>

  Na Tchecoslovquia, o socialismo com face humana foi 

destrudo pelo socialismo com cara de tanque de guerra: as 

tropas do Pacto de Varsvia, chefiadas pela URSS de Brejnev, 

invadiram o pas e impuseram um governo comunista 

neo-stalinista. Uma decepo terrvel para os estudantes 

tchecoslovacos que ainda acreditavam no socialismo 

democrtico.

  Na China, a Revoluo Cultural foi gradualmente controlada 

pelos burocratas do partido. Acabaram-se os cartazes nos 

muros (dazibaos) nos quais qualquer um poderia manifestar 

suas idias. Os comunistas chineses, incluindo Mao Ts-tung, 

mostravam o velho pavor stalinista da autonomia das massas. 

Temiam perder o controle dos jovens e dos operrios.

  Na Frana, os sindicatos operrios fizeram um acordo 

salarial com os patres e encerraram a greve geral. Os 

trabalhadores e os comunistas no acreditavam na 

possibilidade de se fazer uma revoluo socialista. Preferiam 

apostar na segurana do sistema. Os estudantes foram 

abandonados nas ruas. Seus protestos no tinham mais fora 

para abalar o pas.

  Na Amrica Latina, os golpes militares sucederam-se um 

atrs do outro: Chile (1973), Uruguai (1973) e Argentina 

(1976) foram os principais.

  No Brasil, as passeatas estudantis foram totalmente 

proibidas a partir do final de 1968, quando o regime militar 

se tornou politicamente mais repressor ainda, com a 

implantao do AI-5. (Veremos no captulo 18.)

  Como bem disse o ex-beatle John Lennon: {O sonho acabou}.

  Claro que nem tudo foi um fracasso. A luta da gerao dos 

anos 60 deu alguns frutos. A maioria das pessoas passou a ver 

a guerra de modo diferente: em vez de consider-la gloriosa, 

passaram a v-la como uma coisa brbara. Tambm mudaram as 

idias sobre o direito das mulheres, a represso sexual, a 

msica, a moda, a natureza.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Casal, sendo que a    o

  moa est nua. Um casal bem    o

  desencanado em Woodstock. Os  o

  jovens desafiavam as conven-    o

  es e os tabus. Quantos jo-   o

  vens de hoje teriam a mesma     o

  coragem?                        o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  A onda renovadora foi at o comeo dos anos 70. Depois, o 

sistema conseguiu absorver a rebeldia. As moas libertrias 

jogaram fora os discos dos Rolling Stones e de Janis Joplin, 

vestiram o suti, casaram-se e tornaram-se pacatas donas de 

casa, preocupadas com a novela da tev e a compra da semana. 

Os moos botaram de lado os livros de Trtski, atiraram na 

lata de lixo o pster de Che Guevara, cortaram a barba e os 

cabelos, vestiram terno e viraram submissos empregados de 

alguma grande empresa, sonhando em ganhar dinheiro e casar 

com uma moa virgem. Os _hippies morreram de tanto se drogar 

ou ento voltaram para a cidade grande para se tornarem 

empregados de um banco ou de uma empresa multinacional. Nos 

anos 80 e 90, as pessoas passaram a se preocupar mais consigo 

mesmas do que com a transformao do mundo. O modelo da nova 

era nos anos 80 e 90 passou a ser o _yuppie, o jovem 

executivo que ganha rios de dinheiro na bolsa de valores e 

gosta de ostentar seus ganhos: roupas finas, carros 

importados, telefone celular, olhar superior. Se isso tudo 

foi um avano ou um recuo,  voc, amigo leitor, que dever 

refletir e responder.



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: um jovem _hippie dos   o

  anos 60. Descontrado, ele    o

  despreza a {sociedade de con-   o

  sumo} que produziu as guer-     o

  ras, a pobreza, o endeusamen-   o

  to do dinheiro. Do ouyro la-   o

  do, o _yuppie, executivo dos    o

  anos 80 e 90, feliz com seu   o

  sucesso financeiro.             o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<254>

<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Desenho do smbolo dos       o

  _hippies dentro de uma lata     o

  de lixo. Ser este o destino   o

  dos sonhos rebeldes?            o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



<P>

Texto Complementar



  A palavra {contracultura} foi inventada nos EUA nos anos 60 

para designar no s as novas formas de arte, como uma nova 

mentalidade, que misturava as idias de {poder jovem} e 

{rebeldia contra o sistema} com os comportamentos 

{contestadores} dos _hippies e dos estudantes esquerdistas. 

No texto abaixo, o antroplogo carioca Carlos Alberto 

Messeder Pereira nos apresenta sua viso do que foi a 

contracultura:



  {Corriam os anos 60 e um novo estilo de mobilizao e 

contestao social, bastante diferente da prtica poltica da 

esquerda tradicional, firmava-se cada vez com maior fora 

(...) Falava-se de uma nova conscincia, de uma nova era 

(...). Inicialmente, o movimento  caracterizado por seus 

sinais mais evidentes: cabelos compridos, roupas coloridas, 

misticismo, um tipo de msica (...). Trata-se, de fato, de um 

movimento de contestao que colocava frontalmente em xeque a 

cultura oficial, prezada e defendida pelo sistema. (...) De 

um lado, a contracultura pode se referir ao conjunto de 

movimentos de rebelio da juventude (...) que marcaram o anos 

60: o movimento _hippie, a msica _rock, uma certa 

movimentao nas universidades, viagens de mochila, drogas, 

orientalismo e assim por diante. E tudo isso levado  frente 

com um forte esprito de contestao, de insatisfao, de 

experincia, de busca de uma outra realidade, de um outro 

modo de vida. (...) No se tratava de (...) uma _revolta _dos 

_despossudos. Era exatamente a juventude das camadas altas e 

mdias dos grandes centros urbanos que, tendo pleno acesso 

aos privilgios da cultura dominante, por suas prprias 

possibilidades de entrada no sistema de ensino e no mercado 

de trabalho, rejeitava esta mesma cultura de dentro. (...)

<P>

  Um grupo tinha um papel absolutamente fundamental: os 

_hippies. (...). So desta poca as grandes marchas 

pacifistas contra a guerra ou pelos direitos do cidado, as 

passeatas _hippies com seus slogans (lemas) alegres, sua 

msica, suas cores (...).

  A dcada de 60, em nvel internacional, foi realmente um 

tempo de muita agitao, esperana e renovao nas formas de 

luta poltica. Basta lembrar, por exemplo, (...) a Revoluo 

Cultural Chinesa, a resistncia popular vietnamita  agresso 

armada dos Estados Unidos e a guerrilha de Che Guevara na 

Bolvia. Em todos estes casos, o que estava em jogo era a 

abertura de novos espaos de contestao poltica e de luta 

(...). Significava uma tentativa de mobilizao e de crtica 

que visava a construo de um tipo de sociedade socialista 

que esbarrasse nos mesmos impasses dos socialismo sovitico, 

j duramente avaliado e criticado (...).



  (Pereira, Carlos Alberto M. {O que  contracultura}. 3 ed. 

So Paulo: Brasiliense, 1985.)



<255>

  A partir do que  apresentado pelo autor do texto acima, 

procure responder:



  1. de que modo os jovens adeptos da {contracultura} dos 

anos 60 se vestiam? (Veja as fotos nas pginas 243, 244, 249 

e 250 no livro em tinta.) Esse modo de se vestir tinha algum 

objetivo poltico?



  2. Inicialmente, quais foram as camadas sociais que se 

identificaram com a contracultura?



  3. De acordo com o autor, quais foram os trs 

acontecimentos polticos internacionais que mais atraram a 

ateno dos jovens contestadores nos anos 60?



<P>

  4. De acordo com o autor, por que os jovens esquerdistas se 

interessavam por experincias como a Revoluo Cultural 

Chinesa?



Exerccios de Reviso



  1. {O auxlio ao estrangeiro  um mtodo atravs do qual os 

Estados Unidos mantm uma posio de influncia e de controle 

sobre o mundo inteiro e sustentam um grande nmero de pases 

que desmoronariam definitivamente ou ento passariam ao bloco 

comunista.} (John F. Kennedy, presidente dos EUA, 1962.) 

Explique por que os EUA se envolveram na Guerra do Vietn.



  2. {No ficaremos satisfeitos enquanto um s negro do 

Mississpi no puder votar ou um negro de Nova York acreditar 

que no tem razo para votar.} (Martin Luther King.) 

Caracterize a situao dos negros (afro-americanos) nos EUA 

at os anos 60 e depois explique o que foi a luta pelos 

direitos civis.



  3. Esta reportagem norte-americana foi publicada 

recentemente num jornal brasileiro. Ela fala da violncia 

policial nos EUA: { impossvel subestimar a raiva e revolta 

dos pobres negros e hispnicos, em relao ao modo como so 

tratados pela polcia. Basta perguntar a qualquer residente 

(...), para ouvir casos de jovens que so acusados por crimes 

que no cometeram e condenados  custa de provas falsas. 

Padres e jornalistas j relataram casos em que a polcia 

invade festas e espanca os convidados sem qualquer motivo 

aparente, ou agride um grupo de pessoas que fazem fila para 

comprar sorvete (...)}. (Andrew Gumbel do _The _Independent, 

na Folha de So Paulo, 26/9/1999). Pelo que voc leu,  

possvel dizer que o racismo deixou de ser um problema na 

sociedade norte-americana na entrada do sculo Xxi? Voc 

poderia traar alguma comparao com a sociedade brasileira 

atual?



  4. {Stlin esteve na origem da concepo do _inimigo _do 

_povo. (...) Este termo tornou possvel a utilizao da mais 

cruel represso, violando todas as normas das legalidade 

revolucionria, contra quem quer que, de qualquer maneira, 

no estivesse de acordo com ele. (...) Este conceito de 

_inimigo _do _povo eliminava, de fato, a possibilidade de 

qualquer luta ideolgica, a possibilidade de uma pessoa expor 

seu ponto de vista (...). Dos 139 membros do Comit Central 

do Partido que haviam sido eleitos no Xvii Congresso, 98 

foram presos e fuzilados, isto , 70% (na maioria, em 

1937-1938).} Explique o que foi a {desestalinizao 

promovida} por Kruschev na URSS. Depois, avalie a 

profundidade da mudanas.



<256>

<P>

  5. {Revoluo  rebelio, e a rebelio  a alma do 

pensamento de Mao Ts-tung.} (Jornal _Bandeira _Vermelha, 

Pequim, 1966.) Caracterize a Revoluo Cultural Chinesa 

(1966-1976).



  6. Aponte qual era o objetivo do movimento feminista nos 

anos 60.



  7. Embora tivesse escrito a maior parte de suas obras na 

primeira metade do sculo Xx, o psicanalista alemo Wilhelm 

Reich era um dos autores mais lidos pelos jovens rebeldes nos 

anos 60. Vejamos um trecho de seu pensamento: {Comparemos o 

pequeno nmero de jovens que levam uma vida sexual 

satisfatria com os outros que no puderam se libertar dos 

valores da famlia tradicional, da escola e da igreja. (...) 

A famlia e a escola so, do ponto de vista poltico, 

oficinas para produzir pessoas obedientes  ordem burguesa. 

(...) A falta de esprito crtico, a proibio de protestar, 

a ausncia de opinio pessoal caracterizam a relao das 

crianas fiis  famlia, do mesmo modo como os empregados e 

funcionrios se submetem ao Estado e os operrios sem 

conscincia de classe se submetem aos patres. (...) A 

represso das tenses e dos desejos sexuais exige uma grande 

energia fsica de cada indivduo. Isso inibe e lesa o 

desenvolvimento da capacidade de raciocinar criticamente. 

Pelo contrrio, quanto mais a sexualidade se expande de 

maneira sadia e vigorosa, tanto mais nos tornarmos livres e 

ativos, crticos de nosso comportamento em geral. Mas isso 

no  tolerado pelo capitalismo, que defende a autoridade e a 

tradio.} (Wilhelm Reich. {O combate sexual da juventude}.) 

Caracterize a mudana de comportamento sexual dos jovens dos 

pases desenvolvidos nos anos 60. Em seguida, mostre quais 

eram as justificativas polticas para a {revoluo sexual} da 

poca.



  8. {O processo de desenvolvimento atual , em substncia, 

um processo de renascimento do socialismo. Falar apenas de um  

processo de democratizao sem esse ntido contedo 

socialista significaria deformar o verdadeiro sentido dos 

esforos do nosso Partido}. (Alexander Dubcec, Relatrio ao 

PC da Tchecoslovquia, 28/5/1958). Caracterize a Primavera de 

Praga na Tchecoslovquia em 1968 e explique quais foram suas 

conseqncias.}



  9. Na Frana, em 1968, houve grandes manifestaes de 

rebeldia de estudantes universitrios e de operrios. De que 

modo essas rebelies terminaram?



  10. Caracterize a situao poltica da URSS depois do 

afastamento de Kruschev.



<257>

<P>

Reflexes Crticas



<F->

*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?

    Foto: Casal passeando de    o

  lancha e moa de biquni        o

  olhando. Moas e rapazes       o

  norte-americanos em 1969.      o

  Bem-vestidos, sorridentes,     o

  parecem {bem-ajustados ao sis-  o

  tema}. Provavelmente, sonha-   o

  vam em trabalhar, ganhar di-    o

  nheiro e poder comprar muitas   o

  coisas. No teriam sido como   o

  a maioria dos jovens da poca?  o

eieieieieieieieieieieieieieieieieiei

<F+>



  1. Converse com seus colegas e depois compare os ideais 

rebeldes da juventude nos anos 60 com os da juventude atual. 

Existe alguma coisa no comportamento dos jovens de hoje que 

tenha recebido influncia dos jovens dos anos 60? O que  

diferente na cabea do jovem atual?



  2. Nos tempos atuais ainda tem algum sentido falar em 

{represso sexual}?



  3. As mulheres atuais j conseguiram a igualdade de 

direitos com os homens? Hoje, ainda h necessidade de um 

movimento feminista para conscientizar a sociedade?



  4. O movimento feminista trouxe progressos ou acabou 

distorcendo gravemente a relao entre os homens e mulheres?



  5. Ser mesmo que a {maioria dos jovens} brasileiros, 

americanos e europeus dos anos 60 realmente compartilhava 

aqueles valores to {rebeldes} e {contestadores}? Ser que a 

maioria no continuava {integrada ao sistema}?



<P>

  6. Os jovens dos anos 60 se vestiam de um modo que chocava 

os mais conservadores: homens de cabelos compridos, moas de 

minissaia, roupas {unissex} (iguais para os homens e 

mulheres), tecidos com muitas cores. Uma espcie de {moda de 

protesto}. Mas esse modo de se vestir teria realmente abalado 

a organizao da sociedade? O fato de as lojas de roupas 

comearam a vender {a moda hippie}, camisetas com fotos de 

Che Guevara e calas _jeans foi uma vitria dos estudantes 

rebeldes ou representou a capacidade do capitalismo de 

utilizar as idias {rebeldes} para fabricar e comercializar 

mercadorias valiosas?



  7. Martin Luther King era pastor e lder pacifista na luta 

pelos direitos dos negros nos EUA nos anos 60. Certa Vez, ele 

declarou que {qualquer religio que afirme estar a favor da 

alma dos homens mas no se importe com os bairros miserveis 

que os atormentam nem como as condies sociais que os 

incapacitam  uma religio seca como o p}. Escreva sua 

opinio a respeito dessas idias.



  8. Leia o texto de Wilhelm Reich no exerccio de reviso 

nmero 7. O que voc pensa a respeito? Concorda? Discorda? 

Voc acha que a situao atual do mundo  diferente? 

Apresente seus argumentos!



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